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Mostrando postagens de novembro, 2021

Nem só de Pão de Açúcar vive o carioca

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Luiz Gustavo da S. de Souza Detalhes do Bondinho do Pão de Açúcar, por dentro e por fora, na década de 1920. A vista da Urca e da Praia Vermelha na época. Foto: Via MultiRio  Na década de 20, é dada largada ao lazer, seja nos passeios à praia ou pelo processo de modernização espalhado pelo Rio de Janeiro. Através de reformas urbanas e políticas higienistas, a transferência da área central para a zona sul da cidade, reverbera ainda hoje no imaginário social carioca. Para o jornalista cultural Leonardo Lichote, é pela linha do trem que são traçadas novas possibilidades de existência e ocupação da cidade. Entretanto, há quem pense que não há boas opções de lazer no subúrbio. Os clubes de futebol periféricos, para além do caráter esportivo, desempenharam papéis sociais importantes para o lazer nos anos 20. O Bangu Atlético Clube, o Primavera F. Clube, o Royal no Méier, entre outros, formado majoritariamente por proletários e artistas contribuíram para a popularidade do futebol. A...

Nair de Tefé: um patrimônio esquecido no Brasil

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Gabriela M. Fernandes  Residência que pertenceu a uma das maiores figuras do século XX encontra-se abandonada em Petrópolis Construído na década de 1920, o casarão de Nair de Tefé, primeira-dama do Brasil durante os anos de 1913 e 1914, está preste a completar o primeiro centenário. No entanto, o que deveria ser ponto turístico e atração célebre da cidade de Petrópolis encontra-se, agora, em condições deploráveis. O imóvel foi, por tempos, um vívido solar com características tradicionais do estilo arquitetônico francês. Contava com diversos terraços e vidraças em sua estrutura, além de belas escadarias que levavam aos níveis superiores da casa. Em anos mais recentes, o patrimônio foi tombado pelo município e funcionou como uma clínica de atendimento ao público, mas foi, posteriormente, abandonado e assim permanece até os dias de hoje.   Agora, entre a folhagem que cobre os muros, pouco se pode ver do que restou da arquitetura original. As paredes, grafitadas, aprese...

A carioca mais inteligente dos anos 20

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  Luisa Gevaerd                                       Albertina não sentia medo dos conservadores (Foto: arquivo Anna Faedrich) A carioca mais inteligente dos anos 20 Albertina Bertha fugia dos padrões da época. Suas obras balançaram os moralistas. No dia 7 de novembro, a escritora carioca Albertina Bertha completaria 141 anos. Apesar dos poucos registros sobre sua vida, foi um dos nomes mais importantes da elite cultural carioca dos anos 20. Ela escreveu cinco livros, sendo três romances e dois ensaios filosóficos. Além disso, ministrou conferências sobre estética, literatura, psicologia infantil e filosofia, sua paixão. Foi, inclusive, uma das prercursoras do filósofo Nietzsche no Brasil, sendo apelidada de sua "madrinha". Sua opinião era requisitada e respeitada. Isso é visto através das inúmeras entrevistas - com temáticas como voto feminino e criação de uma Academia Feminina de Letra...

Gilka Machado é a escritora que “poderia ter sido e ainda não foi”

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  Luísa Mattos Gilka Machado posa para foto após ganhar o prêmio de maior poetisa brasileira. Foto: Revista  O Malho ,nº 1578, de março de 1933. Fonte: Hemeroteca Digital Ao observar e tocar um pêssego, Gilka Machado descreve uma cena masturbatória feminina no texto “Particularidades”, de 1917. Já quando fala sobre uma relação a dois, crava as seguintes palavras para seu parceiro: "Tu te esqueceste em mim em fluido". Quando retrata a sociedade brasileira, exalta o povo e defende o direito de esterilização para jovens mulheres pobres. Escreve com naturalidade sobre os gases que o corpo humano solta e que nos deixa “em situações embaraçosas". Fala indiscriminadamente do seu uso de drogas como cocaína e morfina, famosas na época. Gilka é irreverente e transgressora como as demais escritoras dos anos 1920.   Fruto do movimento parnasiano e simbolista, Gilka problematiza a posição da mulher, valoriza o corpo feminino de forma erótica, e cria uma sensualidade sinestésica...

Cinema carioca: 100 anos de história

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   Victor Afonso Meira A década de 20 foi um momento de transição para o cinema brasileiro. O que predominou com o fim da primeira guerra mundial, entre 1914 e 1918, foi o cinema estrangeiro. Porém o mundo das artes estava fervoroso nesse tempo, por conta do desfecho da guerra e o fim da gripe espanhola. Motivo que levou a década seguinte ficar conhecida como os loucos anos 20, já que as pessoas estavam com sede de viver. A cidade do Rio de Janeiro se tornou um epicentro das pautas culturais, com a popularização do samba, futebol e do carnaval. As ideias modernistas também entram em voga, a partir de 1922, após a semana de arte moderna em São Paulo. Mas no cinema, o que predominava entre os realizadores brasileiros, era um conteúdo mais documental. As cavações, como são conhecidas, eram os cinejornais que mostravam passeatas políticas, festas, inaugurações e outros eventos grandes na cidade. Os chamados filmes posados, de ficção, não eram os mais comuns entre os produtor...

A Antropofagia Futebolística e a Crônica

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 Felipe Musa Painel com traços modernistas que retratam o esporte. Goleiro – Vicente do Rego Monteiro, 1930 De revistas art nouveau à profusão de pianos em casas art decó, a modernidade debuta na capital da República do início do Século XX. As ruas se expandem em boulevards , tenentes se rebelam contra generais e chorões, malandros e melindrosas povoam as ruas do Rio de Janeiro. Paralelamente, a elite carioca incorpora a prática de esportes europeus e passa a remar, nadar, correr e pular por mares, lagoas e campos da capital. Porém, dentre todas as importações, o foot-ball inglês não só cria raízes como se torna parte da nova identidade nacional – fomentada também pelos modernistas. Especialista em futebol e modernismo, o historiador Bernardo Buarque de Hollanda conta o início dessa relação.   Por descender de uma matriz europeia trazido por uma elite cultural, o futebol primeiramente foi rejeitado pelos modernistas e chegou a representar uma das três pragas que assolavam ...

Exposição de 1922: Memória e Civilização

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  Maria Eduarda de Oliveira Gomes Lima   Às vésperas do centenário da Independência do Brasil, como sede do governo, o Rio de Janeiro deveria ser não só o palco principal de comemorações, mas também um modelo de civilização e progresso para a nação. Entre as programações, a mais ousada era a realização de uma Exposição Universal em terras cariocas, que teve início em sete de setembro de 1922. Uma das ideias, que vieram à tona, era a abordagem das principais modalidades e trabalho no país, incluindo lavoura, pecuária, indústrias, tecnologias de comunicação, além das ciências e das artes. Depois de participar de outras exposições ao redor do mundo, era vez do Brasil ser anfitrião de uma grande feira de modernidades. O país já havia preparado eventos parecidos, como por exemplo, as exposições nacionais de 1861 e 1908 cujo objetivo era marcar presença no cenário internacional como nação civilizada. No entanto, as obras de preparação da cidade, como a demolição do Morro do ...

Moda carioca conta a história dos Anos Loucos na Cidade Maravilhosa

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          Lara Bohrer Felix                           Mulheres na praia usando os novos modelos de traje de banho que se popularizaram nos anos 1920 (reprodução:https://www.fashionbubbles.com/) Os anos 1920 trouxeram muitas mudanças para o Rio de Janeiro e a moda não ficou de fora do movimento de modernização. Nas ruas mulheres com vestidos mais fluídos e homens com roupas mais despojadas. Na praia, os trajes passaram a ficar mais curtos e os tecidos mais leves. Nos jornais uma personagem irreverente passa a fazer parte do imaginário social. Esses foram os anos loucos no Rio. O contexto histórico da época contribui muito para entender as mudanças da moda. A professora de História da Moda do Laboratório Carioca de Moda, Silvia Helena Soares, conta que os anos 1920 foi um período de vivenciar tudo aquilo que a virada do século XIX para o XX proporcionaria e que foi interrompido pela Primei...

O porta-voz do “submundo” carioca

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  Bernardo Muniz       Paulo Barreto, mais conhecido como “João do Rio”. Foto: Manuela dos Santos/Arte sobre imagens de divulgação     Paulo Barreto foi um marco no jornalismo nacional. Nascido no coração da cidade do Rio de Janeiro, em 1881, o multifacetado jornalista mostrou desde jovem sua habilidade para contar histórias. Aos 17 anos, teve seu primeiro texto publicado, no jornal O Tribunal, cujo dono era Alcindo Guanabara. Apesar do seu vasto talento com as palavras, sofreu muito preconceito por conta de seus atributos físicos e também pelo fato de ser homossexual em uma sociedade que, na época, era mais retrógada que nos dias atuais. Em 1902, o Barão de Rio Branco se referiu a ele como “gordo, amulatado e homossexual”, mas nada disso o impediu de ter sucesso na profissão. Ao longo de sua carreira, usou muitos pseudônimos, em diversos veículos de imprensa, mas foi na Gazeta de Notícias que forjou a alcunha que o segue até hoje, João do Rio. ...

Cem anos sem João do Rio, o cronista das ruas cariocas

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  Bernardo Poppe                                          João do Rio tinha 39 anos quando morreu de um infarto fulminante – Foto: Reprodução Há cem anos, a cidade do Rio de Janeiro parava para se despedir de Paulo Barreto, jornalista, cronista e escritor celebrizado pelo pseudônimo João do Rio, o mais famoso dos vários alônimos utilizados pelo carioca. Mais de 100 mil pessoas compareceram ao funeral do cronista, realizado no cemitério São João Batista, em Botafogo. Considerado um dos pioneiros da crônica brasileira e do jornalismo de rua, João do Rio viveu como poucos a então capital do Brasil. Em suas obras, o jornalista procurava dar voz para pessoas normalmente ignoradas pelos jornais e livros, trazendo histórias da vida de cortiços, favelas e marginalizados. Dessa maneira, mergulhava nesse outro lado da cidade, conversava com as pessoas e vivia de perto as mesmas ex...

A união da verde-rosa e Cartola

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  Emanuel Bonfim Leite  Cartola em seu último desfile pela Mangueira, em 1978 (Foto: Agência O Globo / Aníbal Philot)   “São verdes, os campos, as matas. E o corpo das mulatas quando vestem verde e rosa, é Mangueira. É verde o mar que me banha a vida inteira”. É dessa maneira que o lendário sambista Cartola abre a canção “Verde que quero rosa”, uma de suas músicas em homenagem à Mangueira, um dos seus grandes amores, ao lado do Fluminense e de sua última esposa, Dona Zica. Compreender o valor da relação entre Cartola e a Estação Primeira de Mangueira é crucial para entender a importância do caminho construído pelos dois no Morro da Mangueira para a população do Rio de Janeiro no século XX. Nascido em 1908, o jovem Angenor de Oliveira não enfrentou as reformas capitaneadas por Rodrigues Alves e Pereira Passos, mas encarou as consequências diretas do projeto urbanizador do 5° presidente do país. Com a infância passada pelos bairros do Catete e das Laranjeiras, Carto...

Em 25 de março de 1922, nascia o Partido Comunista brasileiro

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   Beatriz Aguiar                                                                   Membros do PCB no encontro do dia 25 de março de 1922 em Niterói-RJ     O ano de 1922 em terras tupiniquins foi marcado por grandes eventos políticos e culturais. Antes dos conflitos tenentistas de julho contra o governo recém-eleito de Artur Bernardes, aconteceu a maior revolução cultural   de celebração de um movimento artístico genuinamente brasileiro. A Semana de Arte Moderna, que teve início no dia 13 de fevereiro de 1922, foi um aglomerado das bombas de cultura que ocorriam no país inteiro e que, certamente, atraiu todos os olhos da imprensa e da intelectualidade nacional daquele período.   Enquanto isso, de forma quase subterrânea, a fundação do primeiro partido de representação da class...

O Legado da Exposição do Centenário no Rio de Janeiro

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  Liz Salgado da Silva Cerqueira                  Obra de demolição do Morro do Castelo Realizada em setembro de 1922, a Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil teve como principal objetivo comemorar os cem anos de independência política do país, mostrar os progressos nacionais e promover o intercâmbio cultural entre os participantes, além disso, exerceu grande influência sobre a ordem de modernização do Rio de Janeiro, então capital. A cidade, então, foi preparada e replanejada pelo prefeito Carlos Sampaio (1920-1922), a partir de um planejamento de obras como o desmonte do Morro do Castelo, entre outras. O processo de modernização urbana pelo qual o Rio de Janeiro passou, contou com intervenções radicais e de grande parte polêmicas, motivadas pela necessidade de progresso e modernização. Durante o processo de renovação urbana, o desmonte do Morro Castelo foi uma das ações de mais causou controvérsia, ...