Exposição de 1922: Memória e Civilização
Maria Eduarda de Oliveira
Gomes Lima
Às
vésperas do centenário da Independência do Brasil, como sede do governo, o Rio
de Janeiro deveria ser não só o palco principal de comemorações, mas também um
modelo de civilização e progresso para a nação. Entre as programações, a mais
ousada era a realização de uma Exposição Universal em terras cariocas, que teve
início em sete de setembro de 1922. Uma das ideias, que vieram à tona, era a
abordagem das principais modalidades e trabalho no país, incluindo lavoura,
pecuária, indústrias, tecnologias de comunicação, além das ciências e das
artes.
Depois
de participar de outras exposições ao redor do mundo, era vez do Brasil ser
anfitrião de uma grande feira de modernidades. O país já havia preparado
eventos parecidos, como por exemplo, as exposições nacionais de 1861 e 1908
cujo objetivo era marcar presença no cenário internacional como nação
civilizada. No entanto, as obras de preparação da cidade, como a demolição do
Morro do Castelo e a construção de pavilhões, foram alvo de críticas, mas os
planos continuaram a seguir.
14
Nações Estrangeiras
A
exposição, de início momento, estava prevista para ser somente nacional, mas em
1921, se tornou internacional fazendo com que o Rio de Janeiro recebesse a presença
de expositores de 14 nações estrangeiras tais como: Bélgica, Holanda, Dinamarca, Argentina, Inglaterra, México,
Japão, Suécia, Tchecoslováquia, Noruega, Itália, Portugal, Estados Unidos e
França. O pavilhão francês, réplica do Petit Trianon, foi construído para
representar os franceses na Exposição, e depois, foi doado ao Brasil abrigando
hoje, a Academia de Letras. O país que mais recebeu homenagem foi Portugal,
nossa pátria mãe e com o qual o Brasil divide parte de sua história, língua e
culturas.
Mais de seis mil expositores, tanto nacionais
quanto estrangeiros, disputavam em muitas categorias a preferência dos juízes
encarregados de avaliar os produtos e atribuir medalhas de Ouro, Prata e Grade
Prêmio. Durante o evento, foram realizadas palestras e conferências sobre
diversos assuntos e ainda lançaram publicações, revistas, cronograma de
atividades, jornais que não abordavam da exposição em si, mas que foram
preparadas para celebrar a Independência do Brasil.
Em 2020, aconteceria no Centro Cultural dos
Correios, localizado no Rio de Janeiro, a Mostra Comemorativa a Exposição
Mundial de 1922 em que seria recriado com fotos, mapas e objetos da época,
porém, com a pandemia, o evento acabou sendo cancelado. Esta Mostra tinha como
objetivo ajudar os cariocas a reconstruir a cidade do século 20 a partir de
fotos expostas, selos e moedas. Seria possível também conhecer o Morro do
Castelo – demolido para a exposição universal em um processo de reurbanização
da cidade –, além de ver onde foi erguida a Embaixada dos Estados Unidos que
posteriormente foi demolido.
A museóloga Ruth Levy, tutora do evento, lembra
que os pavilhões foram construídos para a exposição e esses eram espaços que
abrigavam informações sobre produtos da indústria brasileira, agricultura e
divulgavam dados estatísticos. “A exposição tinha o sentido de reunir em um
espaço tudo sobre o Rio e sobre os países expositores. Além de exibir
relatórios, censo populacionais e pesquisas. Uma pena ter sido cancelado, pois
ia ser um evento daqueles”, afirmou Ruth.
Apesar dos pavilhões que eram referentes às
riquezas naturais do Brasil, havia também a preocupação de expor como era
possível explorar todos esses recursos em indústrias e novas tecnologias. Portanto,
a Exposição do Centenário do Rio de Janeiro trazia uma diferença principal: em
vez de vender produtos e conquistar mercados, o objetivo era vender ideias, o
que explica a realização de conferências e congressos sobre a história.
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