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O desmonte e o descaso com o morro do Castelo

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 Beatriz Orfaliais  O fotógrafo oficial da prefeitura Augusto Malta retratou o desmonte do morro do Castelo. Crédito: Instituto Moreira Salles,  1922    Em 1922, o morro do Castelo, local de fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi colocado abaixo. As desculpas foram várias. Alguns médicos afirmavam que os morros eram os responsáveis pela má circulação do ar, facilitando o surgimento de epidemias. Havia também boatos de que os jesuítas teriam guardado tesouros em galerias subterrâneas no morro do Castelo, e todos queriam derrubá-lo à procura destas riquezas. Além disso, o Estado considerava o morro insalubre, pois nele habitavam pessoas de baixa renda. Um dos principais motivos para a derrubada do Morro do Castelo era, também, o apagamento da memória colonial para a implantação de uma nova ideia de cidade, mais moderna. A população que lá morava foi, entretanto, expulsa. A modernização foi boa para quem? Após uma longa batalha entre portug...

Nem só de Pão de Açúcar vive o carioca

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Luiz Gustavo da S. de Souza Detalhes do Bondinho do Pão de Açúcar, por dentro e por fora, na década de 1920. A vista da Urca e da Praia Vermelha na época. Foto: Via MultiRio  Na década de 20, é dada largada ao lazer, seja nos passeios à praia ou pelo processo de modernização espalhado pelo Rio de Janeiro. Através de reformas urbanas e políticas higienistas, a transferência da área central para a zona sul da cidade, reverbera ainda hoje no imaginário social carioca. Para o jornalista cultural Leonardo Lichote, é pela linha do trem que são traçadas novas possibilidades de existência e ocupação da cidade. Entretanto, há quem pense que não há boas opções de lazer no subúrbio. Os clubes de futebol periféricos, para além do caráter esportivo, desempenharam papéis sociais importantes para o lazer nos anos 20. O Bangu Atlético Clube, o Primavera F. Clube, o Royal no Méier, entre outros, formado majoritariamente por proletários e artistas contribuíram para a popularidade do futebol. A...

Nair de Tefé: um patrimônio esquecido no Brasil

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Gabriela M. Fernandes  Residência que pertenceu a uma das maiores figuras do século XX encontra-se abandonada em Petrópolis Construído na década de 1920, o casarão de Nair de Tefé, primeira-dama do Brasil durante os anos de 1913 e 1914, está preste a completar o primeiro centenário. No entanto, o que deveria ser ponto turístico e atração célebre da cidade de Petrópolis encontra-se, agora, em condições deploráveis. O imóvel foi, por tempos, um vívido solar com características tradicionais do estilo arquitetônico francês. Contava com diversos terraços e vidraças em sua estrutura, além de belas escadarias que levavam aos níveis superiores da casa. Em anos mais recentes, o patrimônio foi tombado pelo município e funcionou como uma clínica de atendimento ao público, mas foi, posteriormente, abandonado e assim permanece até os dias de hoje.   Agora, entre a folhagem que cobre os muros, pouco se pode ver do que restou da arquitetura original. As paredes, grafitadas, aprese...

A carioca mais inteligente dos anos 20

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  Luisa Gevaerd                                       Albertina não sentia medo dos conservadores (Foto: arquivo Anna Faedrich) A carioca mais inteligente dos anos 20 Albertina Bertha fugia dos padrões da época. Suas obras balançaram os moralistas. No dia 7 de novembro, a escritora carioca Albertina Bertha completaria 141 anos. Apesar dos poucos registros sobre sua vida, foi um dos nomes mais importantes da elite cultural carioca dos anos 20. Ela escreveu cinco livros, sendo três romances e dois ensaios filosóficos. Além disso, ministrou conferências sobre estética, literatura, psicologia infantil e filosofia, sua paixão. Foi, inclusive, uma das prercursoras do filósofo Nietzsche no Brasil, sendo apelidada de sua "madrinha". Sua opinião era requisitada e respeitada. Isso é visto através das inúmeras entrevistas - com temáticas como voto feminino e criação de uma Academia Feminina de Letra...

Gilka Machado é a escritora que “poderia ter sido e ainda não foi”

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  Luísa Mattos Gilka Machado posa para foto após ganhar o prêmio de maior poetisa brasileira. Foto: Revista  O Malho ,nº 1578, de março de 1933. Fonte: Hemeroteca Digital Ao observar e tocar um pêssego, Gilka Machado descreve uma cena masturbatória feminina no texto “Particularidades”, de 1917. Já quando fala sobre uma relação a dois, crava as seguintes palavras para seu parceiro: "Tu te esqueceste em mim em fluido". Quando retrata a sociedade brasileira, exalta o povo e defende o direito de esterilização para jovens mulheres pobres. Escreve com naturalidade sobre os gases que o corpo humano solta e que nos deixa “em situações embaraçosas". Fala indiscriminadamente do seu uso de drogas como cocaína e morfina, famosas na época. Gilka é irreverente e transgressora como as demais escritoras dos anos 1920.   Fruto do movimento parnasiano e simbolista, Gilka problematiza a posição da mulher, valoriza o corpo feminino de forma erótica, e cria uma sensualidade sinestésica...

Cinema carioca: 100 anos de história

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   Victor Afonso Meira A década de 20 foi um momento de transição para o cinema brasileiro. O que predominou com o fim da primeira guerra mundial, entre 1914 e 1918, foi o cinema estrangeiro. Porém o mundo das artes estava fervoroso nesse tempo, por conta do desfecho da guerra e o fim da gripe espanhola. Motivo que levou a década seguinte ficar conhecida como os loucos anos 20, já que as pessoas estavam com sede de viver. A cidade do Rio de Janeiro se tornou um epicentro das pautas culturais, com a popularização do samba, futebol e do carnaval. As ideias modernistas também entram em voga, a partir de 1922, após a semana de arte moderna em São Paulo. Mas no cinema, o que predominava entre os realizadores brasileiros, era um conteúdo mais documental. As cavações, como são conhecidas, eram os cinejornais que mostravam passeatas políticas, festas, inaugurações e outros eventos grandes na cidade. Os chamados filmes posados, de ficção, não eram os mais comuns entre os produtor...

A Antropofagia Futebolística e a Crônica

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 Felipe Musa Painel com traços modernistas que retratam o esporte. Goleiro – Vicente do Rego Monteiro, 1930 De revistas art nouveau à profusão de pianos em casas art decó, a modernidade debuta na capital da República do início do Século XX. As ruas se expandem em boulevards , tenentes se rebelam contra generais e chorões, malandros e melindrosas povoam as ruas do Rio de Janeiro. Paralelamente, a elite carioca incorpora a prática de esportes europeus e passa a remar, nadar, correr e pular por mares, lagoas e campos da capital. Porém, dentre todas as importações, o foot-ball inglês não só cria raízes como se torna parte da nova identidade nacional – fomentada também pelos modernistas. Especialista em futebol e modernismo, o historiador Bernardo Buarque de Hollanda conta o início dessa relação.   Por descender de uma matriz europeia trazido por uma elite cultural, o futebol primeiramente foi rejeitado pelos modernistas e chegou a representar uma das três pragas que assolavam ...