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Mostrando postagens de outubro, 2021

Rio, cartão-postal

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    Lorrana Melo Cordeiro   O Rio de Janeiro da década 20, ainda capital do Brasil, foi para a fotografia da época a imagem da modernização e dos avanços urbanísticos que vinham acontecendo desde o início do século. As ruas recebiam luz elétrica e transporte público. As favelas surgiam ao mesmo tempo em que as grandes avenidas, os novos bairros e prédios iam sendo construídos. O atravessamento dos avanços tecnológicos foi se misturando com o movimento, almejado pelos intelectuais modernistas, de criar a identidade do brasileiro, dar ao povo o sentimento de nacionalismo e pertencimento. Para que essa empreitada desse certo, era preciso mostrar que espaço é esse que conhecemos como Brasil. Ficou para a fotografia o papel de construir o imaginário do que seria esse ambiente brasileiro, através da documentação e registro dos avanços modernos na cidade do Rio.    Bonde passando no Centro do Rio de Janeiro, por Augusto Malta em 1924. Acervo IMS-Instituto Morei...

Rio de Janeiro: o purgatório da Beleza e do Caos

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  Luiz Augusto Duarte de Araújo                                    io: moderno antes da Semana de Arte de SP (Crédito: André Costa/Rioantigamente) Na mesma medida em que exala beleza, o Rio de Janeiro ferve com seu caos natural. Não à toa a cidade ficou conhecida como “purgatório da beleza e do caos”. E a verdade é que não é de hoje que esse é o paradoxo perfeito para explicar a belíssima, porém transtornada, cidade do Rio de Janeiro. A modernização da antiga capital do Brasil teve como peça chave o presidente Pereira Passos, que, no início de 1900, tentou transformar a cidade em uma espécie de pedaço europeu no Brasil, através da arquitetura, ideias e costumes. Antes mesmo de São Paulo, que injustamente ficou conhecida como a cidade precursora do modernismo no Brasil, o Rio de Janeiro, através da música, literatura e da arte, já demonstrava ideias modernas.   Entretanto, ao mesmo te...

Cinelândia: a Broadway brasileira

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 Rafael Serfaty Popularmente conhecida como Cinelândia, a Praça Floriano é um dos pontos mais charmosos do Rio de Janeiro. Localiza-se no centro da cidade, numa área que engloba desde a Avenida Rio Branco até a Rua Senador Dantas, e da Evaristo da Veiga até a Praça Mahatma Gandhi, onde outrora ficava o Palácio Monroe. É o espaço com o maior número de instituições culturais do Rio, referência em matéria de diversão popular. Entretanto, foram nos anos 1920 que a região, de fato, começou a se tornar o que é hoje. Segundo a arquiteta Taisa Carvalho, autora do livro Cinelândia - Memória, Identidade, Patrimônio, os cinematógrafos tornaram-se a mania da população carioca no começo do século XX. As salas de cinema se multiplicavam pela cidade, chegando à Zona Sul e aos subúrbios. O público, antes constituído pela classe operária, passava a ser mais seletivo de acordo com a categoria de cinema, que ganhou a entrada de filmes sonoros na década de 20. Conforme a sétima arte evoluía, foram...

Eugenia Moreyra, uma escritora em meio ao machismo

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  Raphael Soledade Eugenia Moreyra: pioneira, corajosa e liberada   Eugenia Moreyra nasceu em 1898 em Juiz de Fora. Foi uma das escritoras, atriz e diretora de teatro à frente do seu tempo, quando era apenas uma adolescente já se manifestava contrária ao governo através de um texto escrito como repórter no jornal A Rua, como por exemplo a Revolta da Chibata.     Ser uma mulher em meio a tantos jornalistas homens foi “o fato de durante muito tempo ser uma questão grave; era tratada pelo marido em casa como um simples objeto e não podia ter profissão, seria preciso que ficasse em casa cuidando dos filhos”,   de acordo com o relatado por Joelle Rouchou.        Além disso, também trabalhou no jornal Última Hora. Uma de suas primeiras apurações jornalísticas foi em 1914 por estar morando no Asylo Bom Pastor onde presenciou o caso da Rua Januzzi nº 13 onde uma garota estava presenciando a traição da irmã que talvez teria sido estrangulada p...

Imprensa feminina: o grito por representatividade

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  Paulo Almeida                        Mulheres deixaram para de usar espartilhos e passaram a usar roupas mais leves ( F oto de Aline Silva, via Pinterest)       As primeiras décadas do século XX representaram o começo da emancipação feminina. Na década de 20, houve a inserção das mulheres no mercado de trabalho como  operárias, garçonetes e professoras, o que garantiu mais direitos civis e sociais. Fora isso, elas deixaram de usar roupas excessivamente formais e que não eram práticas, como espartilhos, e substituíram por roupas mais leves, como vestidos decotados e na altura dos joelhos. O cinema passou a adotar uma imagem mais sedutora e poderosa da figura feminina, como são os casos de Anita Page e Clara Bow. Essa conjuntura possibilitou um impulso para o processo da emancipação e cidadania da mulher.   ...

O futebol do Club de Regatas Vasco da Gama e a resposta histórica

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Gabriela Marino da Silva                                       Camisas Negras: o time do Vasco campeão carioca em 1923 Em 1923, o Club de Regatas Vasco da Gama foi campeão carioca com um time composto por jogadores de várias origens, como negros, mulatos, portugueses e brancos pobres da classe operária. Apesar de haver outros times com jogadores destas características (por exemplo o Bangu), essa era a primeira vez que os times mais elitistas da cidade eram incomodados por um time da periferia.   O Vasco venceu o América e o Fluminense, conquistando o campeonato, em seu ano de estreia na primeira divisão, no dia 12 de agosto de 1923, deixando o Clube de Regatas Flamengo, na segunda colocação, o que acabou marcando significativamente a história do clube, do Rio de Janeiro e do Brasil, por ser o primeiro do Clube em uma campanha com integrantes afro-descendentes, pobres e operári...

Bar Amarelinho: cem anos de histórias que se confundem com o Rio

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  João Pedro Fragoso                    Bar Amarelinho: cem anos de histórias que se confundem com o Rio (utor desconhecido) Desde seu nascimento em 1921, a história do Bar Amarelinho se confunde com o Rio de Janeiro. Na época, a então chamada de “Rio das Luzes”, seguia o embalo de Paris, Nova Iorque e Nova Orleans, cidades diretamente envolvidas nos chamados “Anos Loucos”. Sendo assim, todos os aspectos da vida urbana se modificavam e nomes renomados chegavam a capital do Brasil, como João do Rio, Lima Barreto e Carmen Miranda. Foi nesse ritmo que surgiu o Amarelinho. Localizado na Cinelândia, que era conhecida como a “Broadway Brasileira”, o Bar, que hoje é um monumento do Rio de Janeiro, foi nomeado primeiramente de “Café Rivera”, mas passou a ser chamado de Amarelinho por conta da cor das paredes externas do prédio onde fica. Desde a época de sua criação, o Amarelinho foi um importante ponto para os movimentos culturais e ...

Uma noite sem fim: Lapa e a boemia carioca nos anos 20

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  Juan Gomez A boemia do Rio de Janeiro é conhecida globalmente. O carioca sempre teve uma relação muito forte com a vida noturna, o que reflete diretamente na construção identitária da cidade e a maneira de pensar e vivenciar a experiência urbana. O bairro da Lapa, desde o século XIX, se consolidou como epicentro artístico e boêmio, servindo como palco para importantes figuras – dos meios artístico, social e político – que ajudaram a transformar o Rio no grande cartão-postal que se tornou. Mudança de calçamento na rua dos Arcos” - Malta, Augusto (1928) Na década de 20 o Rio de Janeiro era a mais relevante cidade do Brasil. Com pouco mais de um milhão de habitantes, a cidade – que ainda era a Capital Federal – era o maior centro comercial e cultural do país. À medida que a política nacional no início do século XX mostrava-se cada vez mais concentrada no eixo São Paulo-Minas, com a famosa República do Café com Leite, os governantes do Rio procuravam formas de reinventar a cida...

J. Carlos: o artista insuperável

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Marcos Vinícius Arouca da Silva Um dos mais importantes representantes do estilo Art Déco no design gráfico brasileiro, chargista e ilustrado e por mais de 50 anos, o artista é referência no design brasileiro  Na primeira metade do século XX, José Carlos de Brito e Cunha, mais conhecido como J. Carlos, foi um artista autodidata: atuou como desenhista, ilustrador e editor de arte; trabalhou em publicidade na criação de logotipos e de desenhos infantis. Além disso, teve experiência como escultor e cenógrafo para peças de teatro, entre outras atividades. J.Carlos ganhou destaque como um importante chargista na sua época, o que o levou a ser um dos precursores do design gráfico na indústria editorial do país, e o principal representante do estilo art déco em programação visual no Brasil.  Nascido no dia 18 de junho de 1884, o carioca de berço e modernista por vocação, era um observador da cena urbana de seu tempo, e suas charges o transformaram no principal cronista do Rio ...

Di Cavalcanti: 45 anos da morte do genial artista carioca

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  Arthur Bomfim Pintor modernista e carioca é reconhecido como grande promotor da Semana de Arte Moderna, que completará 100 anos em 2022, e de artistas como Anita Malfatti. Suas obras são reconhecidas por celebrar a cultura brasileira                Há 45 anos um dos mais influentes pintores modernistas do Brasil deixava suas obras para posteridade da arte brasileira: Di Cavalcanti. Conhecido por representar a cultura brasileira e seu povo em cores vivas e em traços marcantes, Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo, mais conhecido como Di Cavalcanti, faleceu no dia 26 de outubro de 1976 na mesma cidade que o viu nascer, o Rio de Janeiro.              Além de pintor, Di atuou como ilustrador, gravador, muralista, escritor, cenógrafo, jornalista e começou sua carreira como caricaturista para a revista Fon-Fon. Com notável influência do cubismo, ele foi um dos primeiros artistas a retratarem tem...

Os primeiros art déco preparam o Rio ao modernismo

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Edifício Odeon. Fonte: WikiMapia Mateus Garcia de Oliveira O Rio de Janeiro começou o século XX com a ânsia de superar o seu passado colonial e passou por profundas transformações para se tornar uma cidade importante na dinâmica mundial. Vislumbrava de Paris o modelo ideal para se inspirar e trazer o modernismo em voga. Nos anos 1920, um novo estilo arquitetônico surge na capital francesa, se espalharia pelo mundo e também deixaria sua marca aqui nos trópicos, o art déco. O maior momento de expressão do estilo foi na Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas, realizada em Paris em 1925. A Europa vivia sua Belle Époque e a arquitetura moldou características modernas para as novas construções com o otimismo de anos prósperos. Há uso de materiais mais resistentes como o concreto armado em aço e formas geométricas em simetria, com entradas estilizadas, cores fortes e design abstrato. Rio é capital na América Latina Considerada a capital do art déco na Amér...