Di Cavalcanti: 45 anos da morte do genial artista carioca
Arthur Bomfim
Pintor modernista e carioca é reconhecido como grande promotor da Semana de Arte Moderna, que completará 100 anos em 2022, e de artistas como Anita Malfatti. Suas obras são reconhecidas por celebrar a cultura brasileira
Há
45 anos um dos mais influentes pintores modernistas do Brasil deixava suas
obras para posteridade da arte brasileira: Di Cavalcanti. Conhecido por
representar a cultura brasileira e seu povo em cores vivas e em traços marcantes,
Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo, mais conhecido como Di
Cavalcanti, faleceu no dia 26 de outubro de 1976 na mesma cidade que o viu
nascer, o Rio de Janeiro.
Além de
pintor, Di atuou como ilustrador, gravador, muralista, escritor, cenógrafo,
jornalista e começou sua carreira como caricaturista para a revista Fon-Fon.
Com notável influência do cubismo, ele foi um dos primeiros artistas a
retratarem temas da cultura brasileira em suas obras, como o carnaval, o samba,
a participação das mulheres e homens negros na constituição da sociedade e as paisagens suburbanas do Rio.
Em suas telas, o artista carioca nascido em 6 de setembro de 1897, transbordava
em cores o que o Brasil tem em riqueza: sua gente, sua música e sua alma cheia
de cores.
Modernista
e moderno
Em suas telas, Di Cavalcanti exerceu
o modernismo e um trabalho que levou sua obra a museus e coleções particulares
pela América Latina, Estados Unidos e Europa. Dentre suas principais produções,
estão: Pierrete (1922); Pierrot (1924); Samba (1925); Mangue
(1929); Mulheres com Frutas (1932); Músicos (1963); Rio de
Janeiro noturno (1963); Mulatas e Pombas (1966) e Baile Popular (1972).
Além disso, o artista ilustrou livros, jornais, revistas e, inclusive, a capa
da Semana de Arte Moderna de 22.
“No traço de Di Cavalcanti observamos o
trabalho de quem faz charge, ele não deixa o estilo da caricatura em suas obras
e é por esses traços que ele representa as mulheres negras, o exotismo, a
sensualidade”, disse Rosangela Nunes de Araujo, professora de estética e comunicação
na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). “O trabalho de
Di Cavalcanti vai explorar aquilo que tem de diferente no Brasil, uma cultura
rica, única, uma mistura extraordinária de culturas”, completou ela.
Pertencente à geração de Pablo
Picasso, Henri Matisse e Wassily Kandinsky, Di Cavalcanti viu, a partir do
início do século XX, quando iniciou sua carreira de pintor, o surgimento de
diversas vanguardas artísticas. “Ele era um homem de bom gosto e se deixou
tocar pela beleza das mulheres, da cultura”, disse Rosangela. É no cubismo que
o artista desenvolve suas obras e representa o Brasil em cores chamativas,
vivas, destacadas. “O cubismo simplifica e é onde o detalhe ganha amplitude. É
nesse movimento em que Di Cavalcanti desenvolve suas obras”, destacou a
professora.
Uma outra perspectiva nas obras de
Di Cavalcanti foi apresentada pela exposição “Di Cavalcanti, Muralista”, que
está instalada no Instituto Tomie Ohtake até outubro deste ano, em São Paulo.
Para o curador da exposição, Ivo Mesquita, ainda não se vê o outro lado do
artista como muralista e por suas produções políticas. “Foi a primeira vez que
um artista modernista representou o povo brasileiro, a rua, o subúrbio, o
morro”, destacou o curador sobre Di, em entrevista para a Folha de São Paulo. Segundo Mesquita, era a produção de
uma arte vanguardista para as ruas e sobre as ruas.
Apoio
de Anita e da Semana de Arte de São Paulo
A intuição de Di Cavalcanti para
além de sua época também esteve na sua participação na Semana de Arte Moderna
de 1922 e por apoiar a artista Anita Malfatti. É o que destaca Ruy Castro,
jornalista e autor do livro “Metrópole à beira-mar; O Rio moderno dos anos 20”.
“Sem ele [Di Cavalcanti], não teria havido em 1917 a famosa exposição de
pintura de Anita Malfatti. Ele foi o primeiro a conhecer Anita e a gostar de
seus quadros”, disse Ruy também em sua coluna para a Folha de São Paulo. Anita Mafatti foi pouco compreendida
por anteceder, em suas obras, o surgimento do expressionismo e foi duramente
criticada por Monteiro Lobato.
O próprio Di Cavalcanti reconheceu a
importância das obras de Malfatti para a arte brasileira. “Anita vinha de fora,
seu modernismo, como o de Brecheret e Lasar Segall, tinha o selo da convivência
de Paris, Roma e Berlim”, disse o próprio artista. “Foi a revelação de algo mais novo do que o
impressionismo”, declarou Di, referindo-se ao expressionismo.
Para Ruy Castro, a importância do
artista estendeu-se para a realização da importante Semana de Arte Moderna.
Castro lembra que Di Cavalcanti foi responsável por fazer os contatos
necessários para que o evento de arte se realizasse em 1922. “O papel de Di
Cavalcanti nessa história é pouco valorizado, talvez porque sua ideia de
modernidade fosse diferente. Era o único ateu e comunista da turma. Nem todos
os modernistas eram modernos”, contou o jornalista.
O ateliê e a obra de Di Cavalcanti foram
doados ao Museu de Arte Moderna de São Paulo, onde permanecem até hoje. Porém,
muitas de suas produções podem ser encontradas em vários museus, teatros e
centros culturais brasileiros, como o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de
Janeiro.
Viva Di Cavalcanti! 👏🏼👏🏼👏🏼
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