Nair de Tefé: um patrimônio esquecido no Brasil
Residência que pertenceu a uma das maiores figuras do século XX encontra-se abandonada em Petrópolis
Construído na década de 1920, o casarão de Nair de Tefé, primeira-dama do Brasil durante os anos de 1913 e 1914, está preste a completar o primeiro centenário. No entanto, o que deveria ser ponto turístico e atração célebre da cidade de Petrópolis encontra-se, agora, em condições deploráveis. O imóvel foi, por tempos, um vívido solar com características tradicionais do estilo arquitetônico francês. Contava com diversos terraços e vidraças em sua estrutura, além de belas escadarias que levavam aos níveis superiores da casa. Em anos mais recentes, o patrimônio foi tombado pelo município e funcionou como uma clínica de atendimento ao público, mas foi, posteriormente, abandonado e assim permanece até os dias de hoje.
Agora, entre a folhagem que cobre os muros, pouco se pode ver do que restou da arquitetura original. As paredes, grafitadas, apresentam um estado avançado de deterioração, além de altos riscos de incêndio. O descaso das autoridades com a história da cidade põe em prova, não apenas a memória do país, mas a segurança dos moradores locais.
Há cerca de três anos, a prefeitura chegou a interditar o local e acionar a Polícia Militar (PM) após constatarem uma suposta invasão da mansão por moradores de rua e usuários de drogas, mas até agora a casa não passou por reformas. Sem respostas e sem soluções, quem agora percorre o bairro do Quissamã conclui que na Estrada da Saudade, restaram apenas ruínas e lembranças.
Quem foi Nair de Tefé
Nair fez história no país com talento e autenticidade. Nascida em família aristocrática na cidade de Petrópolis, Rio de Janeiro, passou parte da infância e adolescência na França, onde teve o primeiro contato com a arte moderna e começou sua formação como desenhista. Ao voltar ao Brasil, ainda muito jovem, iniciou trabalhos na área da caricatura, marcando o pioneirismo da modalidade artística em sua terra natal.
Além de esbanjar originalidade com o lápis e os pincéis, a mulher também pôde exibir toda a personalidade que tinha ao se casar com o presidente Hermes da Fonseca e deixar de lado o pseudônimo Rian – que, por anos, usou para assinar suas obras. Pela primeira vez, Nair mostrou quem realmente era e deixou marcas por onde passou. Enfrentou críticas pelo comportamento e pela postura adotada diante de diversas situações, mas nunca deixou de polemizar e escandalizar a sociedade fluminense com suas decisões.
Surpreendeu o país pela última vez ao falecer no dia em que completava 95 anos, e nos deixou como legado a popularização do maxixe – gênero marginalizado até a o início do século passado, quando, como primeira-dama, fez o Palácio do Catete dançar a nova moda e emplacar o estilo no país.
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