Rio, cartão-postal
Lorrana Melo Cordeiro
A
fotografia dos anos 20 está totalmente associada às transformações urbanas, que
vinham acontecendo na capital, não só pelo projeto de construção da imagem do
brasileiro, mas também por conta do papel que o fotógrafo exercia dentro desse
ambiente social. Os militares, por exemplo, possuíam uma equipe de fotógrafos e
usavam a imagem como ferramenta para mapear a cidade e suas condições. Pereira
Passos, o então prefeito na época, contrata o alagoano Augusto Malta para
primeira função de fotógrafo público. Malta passa então a acompanhar e
registrar os eventos públicos e as transformações da cidade, como por exemplo a
política de demolições que ficou conhecida como “bota-abaixo”.
Bairros da Glória e do Flamengo, registrados por Augusto Malta em 1919. Acervo IMS-Instituto Moreira Salles
O
fotógrafo e o esquecimento
O
fotógrafo nessa época registrava a cidade porquê esse era o assunto em
latência, o que precisava ser registrado, a modernidade alterou tanto o espaço
físico do Rio de Janeiro que a imagem que temos dessa época são as fotografias
documentais, de rua, de paisagem, era essa a imagem consumida e demandada pelas
instituições do Estado e da mídia. É nesse período que surge, também, os
fotojornalistas e novas técnicas fotográficas que permitiam maior mobilidade e
manipulação para o fotógrafo.
O
movimento modernista de progresso impôs a fotografia que circulava na época uma
visão quase que restrita ao ambiente urbano porquê, para além da necessidade de
construção da identidade nacional, a imagem fotográfica possui um caráter de
“representação do real”. Como se o que fosse visto na fotografia, fosse o
próprio real. Era essa imagem, de necessidade de progresso e urbanização, que
eles queriam para construir a identidade do povo. Para essa empreitada, nada
melhor do que uma ferramenta como a fotografia, que te dá a falsa impressão de
representação do real. A imagem de Augusto Malta se perde nesse emaranhado de
imagens que tentaram construir e vender um Rio e um Brasil que não era só isso.
Imagem que existe até hoje como cartão-postal.
Outro
exemplo do atravessamento da modernidade é o fotógrafo André-Charles Armeilla,
que até pouco tempo nem nome tinha. Como fotógrafo, André saia registrando a
cidade e vendia suas fotos para revistas ou nas ruas como cartão-postal. Foi
nos cartões-postais que sua imagem circulou Rio a fora e foi assim que ele se
manteve até a morte. Tudo que se sabe de André só se sabe por que um
colecionador acabou comprando uma coleção de fotos que não tinha a
identificação completa do nome do autor e impactado pela curiosidade acabou
investigando por anos até saber quem era aquele fotógrafo que registrava o rio
de modernidade. Entre demolições e prédios monumentais, esquecimentos e
registros, ruas e morros, o que fica de concreto sobre fotografia do Rio de
Janeiro é a inconcretude da sua representação do real. Esse cartão-postal é de
fato a modernidade brasileira ou na verdade são apenas imagens do que se
desejava e almejava do ideal moderno?
INFORMAÇÕES
Primeira fotografia tirada no brasil
Rio a partir da chegada da fotografia
Fotografia de Augusto Malta
dos cortiços (artigo na pasta de texto do hd) - fala sobre o processo de
modernização do Rio de Janeiro
Fotógrafo André-Charles que foi enterrado como
indigente e apagado da memória do Rio de Janeiro
Livro Rio Pelo Alto 2
(estante da sala)
Ficheiro pesquisa - página para resgate de fotos antigas do rio
de janeiro, contruido pela jornalista que escreveu Rio pelo Alto 2
Relação de Pereira Passos com Augusto Malta
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