Eugenia Moreyra, uma escritora em meio ao machismo
Raphael Soledade
Eugenia Moreyra: pioneira, corajosa e liberada
Eugenia Moreyra nasceu em 1898 em Juiz de Fora. Foi uma das escritoras, atriz e diretora de teatro à frente do seu tempo, quando era apenas uma adolescente já se manifestava contrária ao governo através de um texto escrito como repórter no jornal A Rua, como por exemplo a Revolta da Chibata.
Ser uma mulher em meio a tantos jornalistas homens foi “o fato de durante muito tempo ser uma questão grave; era tratada pelo marido em casa como um simples objeto e não podia ter profissão, seria preciso que ficasse em casa cuidando dos filhos”, de acordo com o relatado por Joelle Rouchou.
Além disso, também trabalhou no jornal Última Hora. Uma de suas primeiras apurações jornalísticas foi em 1914 por estar morando no Asylo Bom Pastor onde presenciou o caso da Rua Januzzi nº 13 onde uma garota estava presenciando a traição da irmã que talvez teria sido estrangulada pelo namorado.
Infelizmente, ela não consegue concluir essa matéria por não ter conseguido uma conclusão, mas vários títulos chamativos que atraíram muitos leitores. Teve uma opinião meio negativa na época por expor algo dentro de um convento.
As mulheres nos anos 20 eram convencidas a conciliar o casamento e o papel de mãe juntamente com o seu trabalho, a luta pelo modernismo era de igualdade com os homens. “Para esse pensamento conservador, a busca pela igualdade de direitos com os homens era o limite das fronteiras entre ser moderna e ser degenerada, já que ultrapassaram a ordem natural das coisas”, de acordo com o relatado por Joelle Rouchou.
Era uma ativista política participando de diversas manifestações e posteriormente ingressou no Partido Comunista que tinha como líder do movimento Luís Carlos Prestes onde se tornou datilógrafa. Em 1935, é presa por tentar cometer um golpe para tirar Getúlio Vargas do poder.
Na Semana de Arte Moderna de 1922, a presença de mulheres como escritoras era muito pequena, sendo além dela somente a Patrícia Galvão, a Pagú. Além disso, destacava-se por vestir-se de acordo com a moda parisiense visto o cabelo curto que possuía.
Cinco anos depois, já casada com o escritor e acadêmico Álvaro Moreyra e mãe de quatro filhos. Foi responsável pela criação do Teatro de Brinquedo, segundo eles o objetivo era de se “renovar as artes cênicas e se opor ao teatro comercial da época” e o teatro deveria ser feito tanto buscando o entretenimento do público-alvo como um questionamento após assistir a uma determinada peça.
Além disso, ele “não era exatamente panfletário, pois considerava que o teatro tinha de agir por uma forma não direta; engajado, mas não explícito. Ao mesmo tempo, não se destinava a um público específico de massas operárias, buscava uma fusão entre o popular e as elites.” Por conta do entusiasmo de como era feito o teatro, pode-se levar a crer que foi um dos primeiros a demonstrar como seria uma produção brasileira dessa maneira.
Infelizmente, em 1936 o teatro fecha as portas. E Eugênia decide então aprofundar um pouco mais o seu interesse por política. “Eugênia tinha vocação artística, mas nunca deixou de lado sua luta pela transformação social.” Uma das teorias para que as pessoas não se lembrem tanto dela se dá pelo fato de a considerarem como sendo muito militante. Infelizmente, veio a morrer decorrente de um AVC quando possuía cinquenta anos.
Referências Bibliográficas:
Álvaro e Eugênia: um amor modernista
ROUCHOU,
Joelle. Álvaro Moreyra: um arquivo delicado. p. 1-10, 2 maio 2011.
https://www.itaucultural.org.br/rumos-2015-2016-eugenia-moreyra-revolucionaria-do-inicio-ao-fim
https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra21110/retrato-de-d-eugenia-alvaro-moreyra
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