Rio de Janeiro: o purgatório da Beleza e do Caos
Luiz Augusto Duarte de Araújo
io: moderno antes da Semana de Arte de SP (Crédito: André Costa/Rioantigamente)
Na mesma medida em que exala beleza, o Rio de Janeiro ferve com seu caos natural. Não à toa a cidade ficou conhecida como “purgatório da beleza e do caos”. E a verdade é que não é de hoje que esse é o paradoxo perfeito para explicar a belíssima, porém transtornada, cidade do Rio de Janeiro. A modernização da antiga capital do Brasil teve como peça chave o presidente Pereira Passos, que, no início de 1900, tentou transformar a cidade em uma espécie de pedaço europeu no Brasil, através da arquitetura, ideias e costumes. Antes mesmo de São Paulo, que injustamente ficou conhecida como a cidade precursora do modernismo no Brasil, o Rio de Janeiro, através da música, literatura e da arte, já demonstrava ideias modernas.
Entretanto, ao mesmo tempo que caminhava para modernizar-se, seja nas ideias ou na arquitetura, o Rio de Janeiro, nos anos 1920, borbulhava politicamente. Isso porque havia grande concentração do poder federal nas mãos de São Paulo e Minas Gerais. Por isso, o Rio de Janeiro, então capital do país, reivindicava maior participação nas escolhas nacionais. Ao lado de Bahia, Rio Grande do Sul e Pernambuco, formaram as “oligarquias de segunda grandeza”, que deram início à reação republicana, com o objetivo de descentralizar o poder das mãos da Oligarquia do Café com Leite, formada por Minas e São Paulo. O engajamento político do Rio de Janeiro refletia diretamente em diversos campos do convívio social, até que jovens soldados do exército se organizaram para fazer uma manifestação tenentista que ficou conhecida como “Os 18 do Forte de Copacabana”.
Dezoito soldados de baixa patente marcharam desde o Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, com destino ao Palácio do Catete. O objetivo era protestar contra as oligarquias de Minas-SP. Entretanto, apenas 2 soldados sobreviveram. Apesar do “fracasso”, a efervescência política do Rio de Janeiro demonstrava o quanto a cidade buscava desenvolver-se. Além disso, a luta contra o status do estado de São Paulo era frequente, já que, não só politicamente, os paulistas eram classificados como os mais modernos, mais desenvolvidos. Tese que ganhou ainda mais força após a realização da Semana de Arte moderna, organizada pelos paulistas.
Contudo, o historiador Rômulo Mattos elucida as informações e desmente essa falácia: “ A Semana de Arte Moderna, em 1922, é supervalorizada na memória nacional: se tornou uma espécie de sinônimo de introdução das ideias modernas no Brasil. Não é isso. O pensamento moderno já pairava em várias cidades do país. No Rio de Janeiro, por ser a capital do país, também tinha um pensamento moderno há muito tempo.”. Além disso, o professor de história relaciona a semana de arte moderna com os acontecimentos políticos do período: “A semana de Arte Moderna evidenciou a crise das ideologias dominantes e da forma de pensar o Brasil daquela época. Essas ideias de pensar o Brasil através do trópicos, como uma Europa, negando o seu povo como sua principal representação, isso era vendido pelas Oligarquias. A semana de 22 ajudou apenas a denunciar essa crise, mas diversos movimentos já existiam contra esses ideais.”
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