Imprensa feminina: o grito por representatividade
Paulo Almeida
Embora as
mudanças mais drásticas ocorressem na moda, a imprensa feminina ganhou força,
principalmente no Rio. Na década de 20, surgiram os primeiros movimentos
organizados com o objetivo de melhorar a condição de vida da mulher. Diante
disso, a imprensa periódica feminina aproveitou para disseminar a intimidade e
refletir os anseios femininos, o que funcionou como um porta-voz da
modernidade.
Gisella
Moura, professora de história do Colégio e Curso pH, diz que, além do caráter
militante, as mulheres revolucionaram as técnicas no modo de se fazer comunicação.
“A imprensa feminina contribuiu para a renovação do parque gráfico e aderiu ao
uso de caricaturas, principalmente em matérias de eventos sociais e moda, que
eram de interesse feminino. Além disso, houve a valorização do uso de imagens
para retratar reportagens e a utilização de vinhetas ilustrações para ornar as
publicações”, afirma.
Outro
fator que impulsionou o ganho de força da imprensa feminina foi o hábito de
leitura da mulher nos anos 20. Os salões eram espaços nos quais as elites se
reuniam para fazer eventos sociais, como declamação de poesia e canto. Neles,
existia o hábito da leitura em voz alta, visto que o acesso aos textos
impressos era difícil. Embora fossem um espaço de negociação dos homens, as
mulheres organizavam o local e participavam dos eventos, o que gerou nelas o
costume da leitura.
“Os salões
simbolizavam o espaço público onde indivíduos se reuniam e confraternizavam. Portanto,
os salões eram um local de mediação entre a esfera privada e a esfera pública,
o que contribuiu para que houvesse o enraizamento da leitura, pois ela era uma
mediadora entre os indivíduos. Eles possibilitaram que as mulheres presentes tivessem
acesso a diversos gêneros literários, o que aumentou o contato delas com livros
e textos e, consequentemente, o interesse por veículos de comunicação”, afirma Gisella.
A relação
entre a imprensa feminina e seu público era recíproca. Enquanto os periódicos estavam
a serviço da mulher e abordavam assuntos do universo feminino, como moda e
poesia, as moças da época viam nas revistas um ideário de modernidade e avanço,
e uma representatividade essencial para a conquista de direitos. Os jornais
tinham seções com dicas destinadas às mulheres, o que ajudava nas tarefas
domésticas. Fora isso, contribuiu para a disseminação do universo feminino e para
a difusão da mulher como relevante para a sociedade.
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