O Legado da Exposição do Centenário no Rio de Janeiro

 

Liz Salgado da Silva Cerqueira


                 Obra de demolição do Morro do Castelo

Realizada em setembro de 1922, a Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil teve como principal objetivo comemorar os cem anos de independência política do país, mostrar os progressos nacionais e promover o intercâmbio cultural entre os participantes, além disso, exerceu grande influência sobre a ordem de modernização do Rio de Janeiro, então capital. A cidade, então, foi preparada e replanejada pelo prefeito Carlos Sampaio (1920-1922), a partir de um planejamento de obras como o desmonte do Morro do Castelo, entre outras.

O processo de modernização urbana pelo qual o Rio de Janeiro passou, contou com intervenções radicais e de grande parte polêmicas, motivadas pela necessidade de progresso e modernização. Durante o processo de renovação urbana, o desmonte do Morro Castelo foi uma das ações de mais causou controvérsia, tornando este episódio mais lembrado que a própria Exposição. Na área remanescente, foi construída a “Esplanada do Castelo” (espaço que viria a ser a Cinelândia posteriormente), palco dos pavilhões da Exposição, projeto dos arquitetos Adolfo Morales de Los Rios e Archimedes Memória.

A modernidade carioca

Culturalmente, a Exposição do centenário baseou-se na inserção de novas influências dentro dos costumes do cenário carioca, principalmente de ascendência francesa. Com isso, dentro do campo das ideias, é possível identificar a inserção da nação na modernidade e na internacionalização. Ou seja, a herança simbólica do evento foi o reconhecimento técnico e administrativo brasileiro, particularmente em relação ao Morro do Castelo.

Através da admiração administrativa internacional, a promoção da imagem do Rio de Janeiro, em ambos os níveis nacional e internacional, foi alcançada. A imagem da cidade foi publicada em guias e periódicos durante a exposição mostrando tanto suas belezas naturais quanto ação transformadoras sobre elas. Essas publicações continham paisagens, principalmente da Zona Sul, definindo pontos que são referência na cidade até hoje.

Segundo João Pedro Thimoteo, estudante do departamento de história da UFRJ, quando se fala sobre os legados da Exposição do Centenário, as evidências arquitetônicas sempre ganham mais atenção, porém, ele acredita que essa herança vai além do fator urbanístico, incorporando frações culturais, políticas e simbólicas. Em seguida destacou o trabalho de Carlos Sampaio como prefeito, porém, não esquecendo da presunção do ex-prefeito em querer atuar como engenheiro e administrador durante os preparativos para o evento.

Por isso, este marco foi visto como uma vitrine internacional para Brasil, a exibição teve grande impacto na indústria turismo, pois durante a Exposição a prática de estampar a paisagem da cidade adquiriu maior importância, passando a circular de forma inédita mundialmente através de melhorias urbanas que realçaram o espaço turístico do Rio de Janeiro. Destacando a construção do Copacabana Palace, retrato da cidade e da hospitalidade nacional, a harmonia da natureza com as virtudes da modernidade criou atrativos para a cidade.

 

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